Negras, brancas ou amarelas. Católicas, judias ou mulçumanas. Jovens ou
idosas. Não importa. O 8 de Março, Dia Internacional da Mulher,
simboliza o universo feminino no mundo. E já não se pode mais negar que
as conquistas femininas avançaram muito nos últimos anos. As mulheres ao
longo do século XX marcaram, de maneira definitiva, os seus rumos para
este novo milênio.
Diversos fatores contribuiram para essa
realidade. As mudanças nas taxas de fecundidade, nos níveis educacionais
e da sua participação no mercado de trabalho sintetizam o novo papel da
mulher na sociedade. "As mulheres que vieram depois de 1945 passaram
por um "boom" de transformações. A começar pela bomba atômica, pelo
pós-guerra. Depois veio a pílula, o movimento feminista, a educação sem
limites para os filhos, as drogas, a produção independente, hormônios. O
processo de inserção feminino no mercado de trabalho também foi intenso
e nada igualitário. Tudo isso nesta minha geração. Passamos por tudo",
conta Helena Hoerlle. Aos 87 anos, a socióloga alemã naturalizada
brasileira, juntamente com outras milhares de mulheres, sentiu na pele
as mudanças que alteraram a situação feminina no mundo.
Quase 150
anos separam o data de hoje do dia em que 129 operárias morreram em uma
greve nos EUA, quando a história do Dia Internacional da Mulher teve
seu começo. Foi em 8 de março de 1857, que patrões e policiais colocaram
fogo na fábrica têxtil onde as mulheres estavam trancadas, após
protestarem contra a jornada de trabalho de 16 horas e por melhores
salários. No entanto, as primeiras articulações de um movimento
feminista começaram logo após a Revolução Francesa. Os principais
objetivos eram o direito ao voto e à educação. No Brasil, até 1879, as
mulheres eram proibidas de freqüentar cursos de nível superior e,
durante boa parte do século 19, só poderiam ter educação fundamental.
Mesmo com a legislação que permitia a instrução feminina, as mulheres
tinham o acesso dificultado.
Substancialmente,
o panorama atual é bastante diferente daquelas décadas atrás. As
recentes discussões acerca dos novos papéis da mulher e do homem na
sociedade não só representam um enorme passo para a conquista feminina
como também abrem espaço para novas configurações de identidades. Com o
novo papel da mulher da sociedade, muda também a estrutura familiar.
Hoje, as mulheres aumentaram sua participação no mercado de trabalho,
acumularam mais anos de estudos, não dependem financeiramente do marido e
adiam casamento e filhos.
E mais: estudiosos e consultores são
praticamente unânimes em dizer que o mundo corporativo caminha para
valores tidos como mais femininos: importância do relacionamento,
trabalho em equipe, uso de motivação e persuasão em vez de ordem e
controle, cooperação no lugar de competição. E toda essa teoria parece
estar de acordo com as estatísticas sobre o avanço profissional das
mulheres, aqui e no mundo todo.
Os números demonstram, por exemplo,
que no caso de donos de empresas, as mulheres representam 17% dos
empregadores brasileiros em 1991 e passaram a 22,4 % em 1998, segundo a
Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad), feita pelo IBGE.
Hoje esse índice pulou para quase 29%. Os avanços são também
incontestáveis nos cargos gerenciais e nas profissões liberais, como
medicina, direito, arquitetura – com até 300% de aumento, na
participação feminina em uma década. As mulheres já são 40% da força de
trabalho no país e 24% dos gerentes.
Não há a menor dúvida de
que o século que acabou foi o de maior avanço das mulheres em toda a
História da humanidade. Elas estão conquistando espaço no mundo
inteiro, em praticamente todas as atividades. No Brasil, 20 milhões de
mulheres entraram na população economicamente ativa em duas décadas.
Todo esse avanço dá a impressão de que o futuro é cor-de-rosa. Porém,
por mais que as mulheres tenham entrado de vez no mercado de trabalho e
estejam se dando muito bem o preconceito e violência ainda persistem e
elas recebem uma remuneração em média cerca de 30% menor do que os
homens, conforme a Síntese dos Indicadores Sociais, divulgada em março
de 2007, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Além
de serem responsáveis pela maternidade, e pela ordem da casa,
atualmente no Brasil, a maioria das famílias são chefiadas por mulheres,
que lutam diariamente, dentro e fora de casa. A sociedade, o Governo,
as instituições, ONGs articulam-se para que as conquistas femininas não
fiquem apenas no papel, mas que aconteçam de fato como mais uma forma de
igualdade e respeito social.
A liberação sexual
Nos
anos 50, o feminismo ganhou um novo aspecto: a construção da identidade
feminina e a liberação sexual. Em 1949, a escritora Simone de Beauvoir
publicou O Segundo Sexo, que demolia o mito da "natureza feminina" e
negava a existência de um "destino biológico feminino". O livro causou
impacto imediato e provocou críticas não só dos conservadores - devido
principalmente aos capítulos dedicados à sexualidade feminina -, mas
também da esquerda.
Um novo impulso chegou nos anos 60, com a
criação da pílula anticoncepcional. A revolução sexual acompanhava
outros acontecimentos da época, como a guerra do Vietnã e a ascensão do
movimento estudantil. Com a chegada da pílula, um dos pretextos para a
repressão sexual feminina, a gravidez indesejada, não tinha mais porque
existir. Depois de cerca de 40 anos de existência, a pílula é usada por
cem milhões de mulheres em todo o mundo.
Outro sinal dos tempos
viria em 1964, quando a inglesa Mary Quant escandalizou com uma saia
dois palmos acima do joelho. O pedaço de pano de trinta centímetros
rapidamente conquistou mulheres de todo o mundo. Em 1971, preenchendo a
longa lista de tabus quebrados, a brasileira Leila Diniz apareceu de
biquíni em uma praia carioca, exibindo a enorme barriga da gravidez.

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