Ainda faltam alguns dias para a famosa, e geralmente farta, ceia de
Natal. Mas é só dezembro começar para quem não se viu durante todo o ano
arrumar mil motivos para se encontrar. Faltam datas para conciliar os
encontros com amigos de infância, a cervejinha com os colegas de
faculdade, o amigo oculto dos mais queridos e, claro, as
confraternizações do trabalho. A sequência de programas vem com comida e
bebida de mais, e sono de menos. O organismo não está preparado para
tantos excessos e logo dá sinais de cansaço. Se o melhor do fim de ano é
exatamente esse clima de festa e você não quer abrir mão da diversão, é
bom tomar alguns cuidados para chegar inteiro ao ano que vem.
Dormir,
por exemplo, é essencial para o equilíbrio funcional do organismo e
vários são os impactos da privação de sono. Segundo a neurologista Maria
do Carmo de Vasconcellos Santos, diretora da Sociedade Mineira de
Neurologia, entre os efeitos da falta de uma noite bem dormida estão a
irritabilidade, a ansiedade, a dificuldade de atenção e concentração, o
desequilíbrio de funções metabólicas e hormonais, a fadiga. Enfim, é
função básica do sono reparar as energias gastas. E dormir pouco por
dias consecutivos é pior ainda. Nesse caso, bem comum nesta época do
ano, ocorre o chamado débito de sono. Os impactos citados acima são
agravados: as consequências são piores quanto maior for o tempo de
privação de sono.
E as poucas horas dormidas vêm acompanhadas de
outros vilões: bebida e comida além da conta. A ingestão de álcool tende
a diminuir a latência do sono e leva a um despertar precoce, portanto,
um sono não reparador. Pessoas com distúrbios como apneia e insônia,
entre outros, precisam de ainda mais atenção. Segundo Maria do Carmo, a
ingestão de álcool aumenta a probabilidade de ronco e a resistência
respiratória. “Ocorrerá piora da qualidade do sono em decorrência de sua
fragmentação por microdespertares durante toda a noite.”
Mas é
possível minimizar alguns efeitos sem abrir mão das confraternizações.
Segundo a especialista, é preciso agir com moderação. A hidratação com
água é essencial e as bebidas alcoólicas podem ser consumidas, mas de
forma equilibrada. Não deixe de lado o copo com água mesmo enquanto está
consumindo um vinho, um drinque, um uísque ou uma cerveja. E se a festa
seguir noite adentro, é essencial reparar a noite de sono perdida.
Segundo Maria do Carmo, não é nada simples, mas mesmo assim, possível.
Outra dica da especialista para minimizar os impactos das
confraternizações de fim de ano é evitar refeições exageradas ou
alimentos que contenham estimulantes do sistema nervoso, como cafeínas.
Moderar é essencial.
Alimentação
A oferta de comida nas
festas neste período chega a assustar. Uma mudança brusca na
alimentação, quando isolada, não é capaz de atrapalhar o organismo, mas
pode trazer mal-estar. Segundo Alice Carvalhais, nutricionista do
Instituto Mineiro de Endocrinologia, é muito comum as pessoas passarem
mal depois de consumirem algo com o qual não estão acostumadas. Alguém
que fez dieta o ano inteiro e resolveu comer muitos alimentos ricos em
gorduras na noite de Natal pode, por exemplo, ter uma diarreia ou dor de
cabeça no dia seguinte. “O corpo desenvolve resistência àquilo que é
comum para ele e estranha o que não é tão comum. Muitas vezes não está
preparado para metabolizar aquele alimento”.
Essa mesma mudança
brusca, segundo a especialista, também não é suficiente para deixar o
metabolismo de repouso mais lento ou acelerado. Porém, enquanto o
“alimento estranho” está sendo metabolizado, certamente o corpo funciona
de uma forma especial para dar conta do recado. Mas é preciso cuidado
com o efeito cumulativo. Diferentemente do que ocorre em uma alimentação
brusca isolada, os excessos por dias consecutivos podem causar
alterações nos níveis de glicose e triglicérides, aumentar o peso e
ativar o mecanismo de compensação do cérebro, solicitando cada vez uma
quantidade maior daquele alimento.
Carolina Cotta - Estado de Minas

Nenhum comentário:
Postar um comentário